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GO CAROL

BEM-ESTAR, FITNESS, COZINHA OVOLACTOVEGETARIANA E A MINHA VIDA NO GERAL (E ÀS VEZES NO PARTICULAR)

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Sab | 28.03.20

Coronavírus: Primeira saída de casa (quase traumática) depois de vários dias de isolamento

Na semana passada saí de casa para ir ao supermercado e comprar tabaco para o meu pai. Depois de vários dias enclausurada lá saí, e a experiência esteve ao nível de um filme de ação e ficção científica. Pois bem, para começar saí toda equipada, com luvas e máscara prontas a serem postas mal saísse do carro. Senti-me um et. Fui ao supermercado e lá vi 2 ou 3 pessoas com luvas, uma com um lenço que usava para segurar o carrinho e mais uma de máscara. O resto vivia a vida normalmente. O Continente estava cheio! Já tinham sido implementadas medidas para proteção de funcionários e clientes mas pouco ou nada tinha mudado no supermercado. As funcionárias não tinham máscara e tão pouco luvas calçadas. Havia apenas uma marca no chão a metro e meio, mais coisa menos coisa, da zona de pagamento onde os clientes deviam aguardar pela vez.

Entretanto já tive de sair de casa novamente para fazer mais umas compras no supermercado e as funcionárias já tinham luvas e de vez em quando aparecia uma senhora da limpeza que limpava o chão. Tirando isso tudo normal. Voltando à primeira saída, entrei no supermercado de máscara e senti que toda a gente que estava nas caixas ficou a olhar para mim. Fui ao pão e os senhores que estavam dentro da zona da cozinha diziam coisas entre eles como "só anda de máscara quem está com o vírus". Sim, já sei disso, não precisam de estar com (in)diretas, mas não andei assim porque achei que estava na moda, foi mesmo para proteção de todos. Fazer compras de luvas é uma experiência mega complicada! Não dá para abrir os sacos dos legumes, tudo escorrega,... enfim. Não gostei.

 

Captura de ecrã 2020-03-21, às 15.26.11.png

 

Para além disso senti-me sempre observada durante toda a minha travessia pelo supermercado. Levava uma lista de compras que não estava ordenada por zona, e que apesar de eu ter tentado fazer as compras por ordem, acabaram por ir ficando coisas pelo caminho. O carrinho de mão já estava cheio, os legumes caiam-me porque não estavam dentro de sacos porque nem sequer os consegui abrir, eu estava sozinha e sentia-me a entrar em pânico com tanta gente a observar-me e a ver o que fazia a cada metro que andava. 

Lá me despachei como e quando consegui e quando cheguei ao carro tirei as luvas e a máscara e pus ao lado. Devia ter deitado fora mas ainda necessitava delas porque tinha de ir a uma papelaria comprar tabaco. Entrei no carro, dei à chave e ele não pegava. Ainda insisti mas nada. A bateria havia morrido, depois uma semana e tal parado. Com 20 anos em cima é normal que estas coisas aconteçam recorrentemente se não andarmos com ele. Mas não foi boa ideia ir com ele para esta aventura. E só no momento de aflição pensei nisso. Portanto estava toda stressada dentro do carro a sentir-me a transpirar, a querer voltar para casa e o carro não pegava.

Liguei à minha mãe para me ir buscar e ao homem que se ofereceu para ir resolver o assunto. Se dependesse de mim o carro iria ficar ali porque eu não tinha como o pôr a andar, e nesta altura do campeonato também não havia a quem ligar. Estava tudo fechado excepto supermercados, farmácias,  bancos, ctts e pouco mais.

Enquanto ele vinha e não vinha  a minha mãe apareceu para minha salvação. Parece exagero mas foi o que senti. Sentia-me a entrar em pânico dentro do supermercado e só queria voltar para casa. Não sei até que ponto vou viver uma vida normal daqui a uns meses quando pudermos andar na rua livremente, e já não houver vírus algum.

 

IMG_8303.JPG

 

Fui até à papelaria e estava fechada. Lembrei-me de outra no centro da vila e fiquei à porta a falar com as meninas. Mais uma vez sentia-me absolutamente estranha. Parecia que eu é que estava a fazer as coisas erradas e toda a gente agia da forma correta. Mas não! Sei que não. Depois de concluir qual era o tabaco que queria tive de ir levantar dinheiro porque não havia multibanco na loja. Mais uma coisa que poderia ser normal num dia qualquer há um mês, mas que agora me deixava tensa. Fui ao multibanco, passaram duas pessoas atrás de mim e estremeci. Não queria de todo ter contacto com alguém que não as pessoas que vivem em minha casa. Voltei à papelaria, já com dinheiro, levei o tabaco e fui a casa buscar os cabos para ligar ao carro. Eram 17:50 e ainda não tinha lanchado. Estava cheia de fome e a ficar com dor de cabeça por causa de todo o stress (e da fome). Mal cheguei a casa despi-me praticamente toda logo na entrada. Não queria que ninguém se aproximasse de mim enquanto não tomasse banho e ter de voltar a sair continua a deixar-me sob stress. Uns minutos depois voltei a sair já com os cabos. Estava frio e eu não tinha casaco porque não queria andar a passear pela casa antes do tal banho. Então saí mesmo como estava antes. 

O capot do carro não se segura sozinho então enquanto o homem tratava dos cabos eu ficava a segurar nele. Se fossem 2 minutos não havia problema mas aquilo ainda era pesado e passado 10 já estava a ficar cansada. O carro não pegava nem por nada. Tinha sido necessário pedir ajuda a empurrar porque estava entre dois carros e não havia como ligar os cabos assim. Um senhor que estava noutro carro viu o homem a empurrar e rapidamente se prontificou a ajudar também, enquanto eu, dentro do carro fazia as manobras necessárias. Se isto até aqui parece um filme? Sem dúvida. Eu só pensava "Isto não está a acontecer! Não é possível tanta coisa em menos de 2 horas! Eu já vi isto antes, mas num filme!". Quando o homem já estava a desistir o carro começou a trabalhar. Felizmente!!! Voltei para casa com vontade de chorar por me estar a sentir tão mal com tudo o que estava a acontecer e totalmente fora do contexto. Sei que vou ter de sair de casa mais vezes até final de Abril ou Maio, quando esta quarentena terminar, mas não tenho vontade nenhuma de voltar-me a sentir como me senti...

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