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GO CAROL

BEM-ESTAR, FITNESS, COZINHA OVOLACTOVEGETARIANA E A MINHA VIDA NO GERAL (E ÀS VEZES NO PARTICULAR)

Mas não mostras a cara porquê??

Comecei a publicar fotografias de comida e treino no Instagram mais afincadamente em Outubro/Novembro de 2014. O Instagram que era pessoal "virou" um Instagram de quem resolveu partilhar o dia-a-dia, mostrar o que come, como treina, que resolveu partilhar o que faz com o Mundo, mesmo que fosse um Mundo de 400/500 e tal pessoas.

 

Em Janeiro de 2015 com quase 1000 seguidores resolvi abrir o Instagram, torná-lo público. Foi aí que se deu a derradeira "mostra ao Mundo". Nessa altura, até o abri sem querer quando experimentava as funcionalidades do Instagram. De repente carrego em qualquer coisa e vejo os pedidos para seguir todos a ser aceites sem que eu fizesse nada. Olhei para o telemóvel e pensei "O QUE É QUE EU FIIIZZZZ????". Sim, mesmo assim a berrar comigo própria. Desatei a apagar algumas das minhas fotografias pessoais. "Eu com o namorado", "Eu sozinha", "As minhas amigas na praia"', "Eu na praia"... E por aí.

 

Lá se foi uma cambada de fotografias pessoais, deixando os bolos, granolas, mousses, paisagens, fotografias no ginásio que não davam para ver a minha cara, eu de costas e coisas do género. 
Passado uns meses valentes comecei a publicar mais coisas minhas, sempre de costas, de lado ou com óculos de sol, de forma a não ser reconhecida.

 

As coisas foram mudando, recebi o convite da Womens Health para fazer parte da edição de Novembro de 2015 onde, inevitavelmente teria de "dar a cara". Assim o fiz, cheia de coragem (penso eu) mas depois só pensava "E AGORA?? Como é que vou mostrar isto se não quero que vejam a minha cara???" Muitas foram as artimanhas usadas. Mostrar metade da folha, mostrar a parte de cima da entrevista, dizer que tinha feito aquilo mas se queriam ver tinham de comprar... Por aí. 

 

Os meus pais sempre questionaram "Mas não mostras a cara porquê???". As respostas, várias, surgiam sempre da mesma forma. "porque não., "porque não quero", "o que é que muda se mostrar?", "as pessoas têm de gostar do que faço, não da minha cara", "porque não me apetece", "posso fazer o que quiser sff??", entre outras teorias absolutamente brilhantes. 

 

De facto os motivos são estes. Não mostrei a cara porque não fazia diferença. Porque as pessoas, vocês, tinham de gostar do que eu fazia, não da minha cara. Porque vocês já tinham um nome, já tinham uma figura a quem associar as publicações.

 

Porque de facto não fazia sentido para mim mostrar naquela altura. Porque não valia a pena. Porque não queria. Porque estava tudo bem assim. Porque podia andar "descansada" na rua, fazer tudo que quisesse sem pensar "será que alguém que está aqui no restaurante me segue e me está a ver com um bigode de molho de soja??", "será que alguém me vai ver no ginásio a fazer mal o exercício XPTO?". 

 

No entanto, apesar de todos estes "macaquinhos na cabeça" que aconteciam, não pelos outros, mas por mim, que fico logo vermelha com qualquer coisinha, resolvi mostrar.

 

Porque queria que vissem a sessão da Womens Health, que foi muitíssimo especial para mim, porque entretanto fiz outra sessão com um fotografo Lisboeta e nunca consegui divulgar o seu trabalho em condições porque as fotografias de costas e de lado não eram assim tantas, porque criei o Snapchat e de vez em quando não mostrar a cara é difícil, porque surgiram outras coisas que queria partilhar e se tornava bastante complicado divulgá-las sem a minha cara.


Passado um ano e meio resolvi então "mostrar a cara" e sinto-me bem. Não penso nisto. As coisas acontecem quando têm de acontecer. E a altura de acontecer era agora.